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segunda-feira, 23 de novembro de 2020

 

E.E. JORNALISTA RUY MESQUITA

ATIVIDADE DE HISTÓRIA – PROFA. PATRICIA

SEGUNDA QUINZENA - NOVEMBRO/2020

 

NOME: _____________________________   N°_____      9°____  DATA:______

 

Leia as imagens e o texto abaixo e responda as perguntas subsequentes:







Ditadura militar é o regime político no qual membros das Forças Armadas de um país centralizam política e administrativamente o poder do Estado em suas mãos, negando à maior parte dos cidadãos a participação e a decisão nas instituições estatais.

 

Ditadura militar no Brasil

 

No Brasil, o período mais recente de ditadura militar ocorreu entre os anos de 1964 e 1985. Com o argumento de evitar a realização de uma ditadura comunista no Brasil, em período de Guerra Fria, as Forças Armadas brasileiras realizaram um golpe de Estado em 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart. Eleito como vice-presidente em 1960, Jango (como era conhecido) assumiu o poder após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961.

Defendida pelos militares como uma ação revolucionária, a ditadura que vigorou no Brasil pode ser caracterizada como uma ditadura civil-militar. Isso em decorrência da efetiva participação de setores importantes do empresariado brasileiro, principalmente os ligados aos grandes bancos e federações industriais do país.

 

Consequências do regime militar no Brasil

 

ditadura civil-militar no Brasil foi marcada pela extrema violência com a qual foram combatidos os opositores do regime. Prisões arbitrárias, torturas, estupros e assassinatos foram realizados pelas forças militares e policiais no país. Desde o primeiro momento, direitos políticos foram cassados, instaurando ainda uma rígida censura aos diversos meios de comunicação e à expressão literária e artística da população.

 

Atos Institucionais

 

Por meio dos Atos Institucionais, os cinco presidentes efetivos do período – Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e João Figueiredo – governaram em muitos momentos sem o aval do Congresso Nacional. E mesmo quando este funcionou, era dominado pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que apoiava o regime, apesar de haver um partido de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

 

Economia do Brasil na ditadura civil-militar

 

Economicamente, o Brasil conheceu um intenso crescimento econômico, industrial e agrícola, principalmente em decorrência da grande soma de investimentos realizados pelo Estado e empresas estrangeiras, o que ficou conhecido como milagre econômico brasileiro. Todavia, houve também grande repressão aos movimentos de trabalhadores, o que manteve baixos os salários, pois as possibilidades de reivindicação eram mínimas. Além disso, esse crescimento não resultou em uma distribuição de renda; pelo contrário, durante a ditadura militar a concentração de renda nas mãos dos mais ricos cresceu no país.

 

Processo de retomada da Democracia

 

A partir de 1974 foi iniciado um processo de “abertura lenta e gradual” que pretendia restaurar as liberdades políticas da democracia representativa. Em 1979, foi decretada uma anistia aos presos políticos e aos exilados, permitindo ainda a formação de novos partidos políticos. Em 1978, intensas greves ocorreram na região do ABC paulista, o que contribuiu muito para o enfraquecimento do regime.

O esgotamento final do regime militar aconteceu, principalmente, em decorrência da realização de inúmeras manifestações de massas nas principais cidades brasileiras pedindo a realização de eleições diretas para presidente da República. Realizadas por milhões de pessoas, essas manifestações ficaram conhecidas por Diretas Já.

Apesar da manifestação do interesse popular, os militares não realizaram uma eleição direta. Em 1984, Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil pelo Colégio Eleitoral. Entretanto, sua morte pouco antes da posse levou ao governo José Sarney, o primeiro presidente civil do Brasil após 21 anos de ditadura civil-militar.



 

1.     1. Quando começou e terminou a ditadura cívico-militar no Brasil?

2.   2.   Por que ela é chamada de ditadura cívico-militar e não só de “ditadura militar”?

3.     3. Descreva a primeira imagem (que é uma fotografia de uma manifestação pacífica em 1968), falando de quantas pessoas aparecem, quem são elas, o que estão fazendo e como você se sente em relação a ela.

4.     4. Descreva a segunda imagem (que é uma fotografia de uma manifestação pacífica em 2018), falando de quantas pessoas aparecem, quem são elas, o que estão fazendo e como você se sente em relação a ela.

5.   5.   Quais as semelhanças entre a primeira e a segunda imagem? Por que, apesar de haver 50 anos entre as duas, elas são parecidas?

6.   6.   Descreva a terceira imagem: o que acontece nela? Por que olhos e boca estão cobertos por mãos? De quem seriam essas mãos? Como essa imagem se relaciona com o texto?

7.     7. Como acontecia a resistência à ditadura? Quem lutava contra ela? Por quê?

8.    8.  Quem se beneficiava com a ditadura? Quem perdia com a ditadura?

9.    9.  Pergunte para os adultos próximos de você sobre a Ditadura e registre as opiniões deles: o que eles se lembram? O que sabem? Acreditam que aquele período foi bom ou ruim?

1010. E você, o que pensa depois do que leu e pensou aqui: tem como uma ditadura ser boa para a população? Por quê?


terça-feira, 22 de setembro de 2020

 

E.E. JORNALISTA RUY MESQUITA

ATIVIDADE DE HISTÓRIA – PROFA. PATRICIA

SEGUNDA QUINZENA - SETEMBRO/2020

 

NOME: _____________________________   N°_____      9°____  DATA:______

 

Leia os textos abaixo, assista os vídeos  e responda as perguntas subsequentes:

 






O que é ditadura?

 

Um dos termos mais frequentemente utilizados em qualquer conversa sobre política no Brasil é ditadura. É natural que isso aconteça, afinal, o nosso país – assim como seus vizinhos e outros no resto do mundo – possui um histórico de experiências ditatoriais. Europa, Ásia, África, América: esses regimes existiram e continuam a existir por toda parte.

Mas nem é preciso se referir a uma ditadura de verdade para alguém usar esse termo em um debate. Afinal, é fácil classificar governos de que não gostamos como autoritários, ditatoriais. E, para confundir ainda mais, muitas democracias realmente lidam de forma autoritária com a divergência, assim como se utilizam de métodos ditatoriais para alcançarem seus objetivos – mesmo que na maior parte do tempo sejam democráticos e respeitem as regras do sistema político vigente.

Qual o conceito de Ditadura?

Segundo Maurice Duverger, a ditadura pode ser definida como um regime político autoritário, mantido pela violência, de caráter excepcional e ilegítimo. Ela pode ser conduzida por uma pessoa ou um grupo que impõe seu projeto de governo à sociedade com o auxílio da força. Normalmente, ditadores chegam ao poder por meio de um golpe de Estado. Já o filósofo político Norberto Bobbio afirma que a ditadura moderna é um regime caracterizado pela concentração absoluta do poder e pela subversão da ordem política anterior.

Características de uma Ditadura

Ditaduras costumam ser bastante centralizadoras. O poder fica extremamente concentrado nas mãos da pessoa ou grupo que governa o Estado, com pouca ou nenhuma abertura para o debate político. Os espaços de comunicação e deliberação costumam ser fortemente regulados ou suprimidos. Isso inclui a imprensa, os poderes legislativo e judiciário (que deixam de ser independentes, como costuma ser de acordo com a divisão dos três poderes) e os partidos políticos, que muitas vezes são proibidos de existir.

Dessa forma, calando vozes de oposição, as ditaduras forçam consensos e implementam suas políticas com poucas ou nenhuma consulta à sociedade. É por isso que o autoritarismo e a violência são duas das marcas de qualquer ditadura. No Brasil, no último período ditatorial que tivemos (1964-1985), houve censura à imprensa, proibição de quase todos os partidos políticos, perseguição a opositores e, em alguns momentos, o fechamento do Congresso Nacional. O Ato Institucional Número Cinco (AI-5), de 1968, concedeu poderes extraordinários ao Presidente da República, como decretar recesso do Poder Legislativo em todos os níveis da federação a qualquer momento.

 

 

1.     O que é uma ditadura? Tem a ver com a minha opinião pessoal sobre um político?

2.     Se um determinado governante retira direitos da população, ele se torna um ditador?

3.     O que é a divisão dos três poderes, mencionada no texto?

4.     O oposto de ditadura seria a democracia? Por quê?

5.     Podemos dizer que vivemos numa ditadura? Por quê?

 

 

 

PAI DOS POBRES E ANTICOMUNISTA: OS DOIS LADOS DE GETÚLIO VARGAS

Detalhes da vida pessoal e pública de uma das maiores personalidades da história da política brasileira

ANDRÉ NOGUEIRA PUBLICADO EM 03/04/2020, ÀS 14H00

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Getúlio Dornelles Vargas nasceu em 19 de abril de 1882 e foi um dos mais centrais e relevantes figuras políticas da história do Brasil. O gigantismo de Vargas faz impossível que falemos da história da república sem tocar em sua obra e as influências que seu legado político deixou mesmo depois de sua morte que, em si, foi de um peso político singular. Falar de Vargas como figura politica é falar do desenvolvimento do Brasil como Estado e como Nação em termos tão profundos e relevantes que trazem peso histórico até os dias de hoje.

Getúlio nasceu numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul chamada São Borja, e era filho de Candida Francisca Dornelles e do General do Exército Manuel do Nascimento Vargas (que foi combatente na Guerra do Paraguai), estancieiros gaúchos da fronteira com a Argentina, já no final do período imperial. Tinha mais quatro irmãos: Espártaco, Viriato, Protásio e Benjamim.

Em 1904, ingressa na Faculdade Livre de Direito do RS, onde se forma bacharel em direito em 1907, começando a trabalhar como promotor na capital do estado e, depois, retorna à atividade de advocacia em São Borja. Era diretamente influenciado pelo positivismo castilhista e tinha como grande referência profissional o “patrono do Rio Grande do Sul” Júlio Prates de Castilho, disseminador da doutrina positivista pelo Brasil.

 Vargas se destacava em sua turma por seu entusiasmo e capacidades de oratória, tendo sido escolhido para representar a faculdade e discursar no funeral de Júlio Castilho.

Em 1909, Vargas se candidata e é eleito deputado estadual pelo RS, filiado ao Partido Republicano Rio-grandense e reeleito em 1913, mas renuncia ao segundo mandato em protesto a decisões tomadas pelo presidente do estado Borges de Medeiros. Nesse meio tempo, Vargas se casa com Darcy Lima Sarmanho, num arranjo político regional entre sua família, ximanga, e ligada ao Partido Republicano, e a família da moça que era maragato e federalista.

Em 1917, Getúlio retorna novamente à câmara dos representantes e assume mais três mandatos (1917, 1919 e 1921). Seu último mandato, de 1921 a 1924, Vargas ganha exímio destaque como articulador político, em posse de um forte poder de discurso.

Líder do PRR, ele era a cabeça do bloco maioritário da câmara e capitaneou um movimento bem planejado de conciliação com a oposição e diminuição do conflito com os federalistas do recém-nomeado Partido Libertador. Também foi central na articulação política do Tratado Brasil-Uruguai, que delimitou oficialmente a fronteira sul do país, chegando a ser citado em agradecimento feito pelo Barão do Rio Branco.

Em 1923, é convocado pelo partido para concorrer ao cargo de Deputado Federal do estado, tornando-se líder da bancada gaúcha no Rio de Janeiro até 1926. Durante o mandato, apoiou o governo Arthur Bernardes, convocando o exército gaúcho a São Paulo durante a Revolta de 1924 e manteve a posição de resistência e contenção de movimentos tenentistas.

Em 1926, o então eleito presidente Washington Luís convoca os líderes das bancadas estaduais da Câmara dos Deputados como ministros federais. Vargas, como líder da bancada gaúcha, assume então o Ministério da Fazenda do Brasil e comanda a reforma monetária e cambial do governo. Abandona o cargo no ano seguinte, para se lançar candidato à presidência do estado do RS. Vargas ganha e governa o Estado, tendo como mandato o período entre 1928 e 1933. Seu mandato será interrompido com sua candidatura na eleição em 1929 e, depois, pela revolução ocorrida em 1930.

 Assumindo o governo do RS, Vargas inicia um importante movimento de oposição ao governo federal, exigindo o fim da corrupção esquemática do sistema eleitoral e expansão do direito às mulheres, defendendo o uso do voto secreto. Criou o Banco do Estado do Rio Grande e apoiou a fundação da VARGIG, além de realizar melhorias na zona portuária e criou um cenário político em que conseguiu apoio político tanto do PRR quanto dos federalistas do PL.

Seu mandato será então cortado pelo forte movimento de oposição nacional ao então eleito presidente, ainda não empossado, Júlio Prestes, de SP, em 1929. Vargas, então assume a liderança da frente gaúcha da Aliança Liberal, responsável pela derrubada do governo, pega um trem até a capital, usando as vestes tradicionais de seu estado (bombacha, casaca de couro, etc.), da estação de trem, sobe em um cavalo e marcha em direção à sede do governo. Estava acionada a famosa Revolução de 1930, em que Vargas assume a junta provisória que derruba o presidente Washington Luís, e depois é eleito pela junta presidente oficial do Brasil.

Assumindo a presidência em 1930, Getúlio instaura uma ditadura de caráter provisório com o objetivo de reestruturar o sistema político e econômico do país, que vivia a estrutura do café-com-leite. Revogada a Constituição de 1891, o Brasil se encontrava sem uma Carta de Leis oficial. Os poderes factuais de Vargas eram praticamente ilimitados.

Vargas criou o Ministério do Trabalho e Indústria e o Ministério da Educação e da Saúde Pública e nomeou uma série de interventores que assumiram a presidência dos estados, num esquema parecido com o feito na gestão Hermes da Fonseca. Vargas também articulará o Congresso Nacional no desenvolvimento de uma nova política trabalhista de associação dos sindicatos ao Presidente, política que assumirá sua forma mais poderosa no Estado Novo nos anos 1940.

A quebra com a normalidade do Estado que impunha uma soberania das elites paulistas e mineiras gera uma importante revolta em São Paulo, que será conhecida como Revolução Constitucionalista que, em 1932, tenta restaurar a ordem vigente antes do golpe de Vargas. O levante paulista desencadeia uma Guerra Civil. Vargas teve que articular o Exército Brasileiro que se encontrava desarticulado pelas divergências internas em relação aos rumos políticos que o país assumia.

Muitos oficiais temiam perder suas posições em uma eventual vitória paulista. Porém, o presidente conseguiu desenvolver uma articulação, principalmente com as tropas do Sul de MG e derrota o levante constitucionalista em cerca de um ano.

Porém, a demanda do levante aparecia com demandas quase inevitáveis na presidência da República, o que obrigou Vargas a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte que redige uma nova Carta ao Brasil: a Constituição de 1934, que abrange uma série de inovações democráticas como o voto feminino e o voto secreto, que ia na contramão aos objetivos paulistas de reestruturar a ordem de 1891.

A Constituição também previa a eleição indireta do presidente e a convocação de uma eleição em 1938. O Congresso então elege Vargas presidente constitucional com mandato de 4 anos.

Vargas saiu vitorioso e reestruturou a ordem política do país a ponto de criar o terreno para instituições políticas de caráter nacional, não mais regional como os partidos da Primeira República. Nascem então dois grupos não-varguistas que ganham poder na sociedade: os integralistas (AIB), inspirados no fascismo europeu e os comunistas (ANL) patrocinados pela URSS.

O projeto nacionalista de Vargas começa a tomar rumo, pois agora as formas de decisão das políticas do campo econômico e cultural começam a tomar abrangência diante de um recorte federal, não mais regional.

O governo, apesar de bem sólido, vai passar por uma tentativa de golpe conhecida como Intentona Comunista, em que a ANL, liderada por Prestes, tenta tomar o poder. Completamente derrotados, os comunistas criam um ar de desconfiança na população, que começa a temer um novo levante de sucesso. Vargas, articulador que era, percebe um espaço em que pode reassumir o papel de unificador e controlador da situação nacional.

Se utilizando de um famoso plano falso de tomada do poder, o Plano Cohen, articula um movimento de restauração de governo no ano anterior ao fim de seu mandato. Articulado com o Exército, ele dá um golpe em seu próprio governo e assume a presidência interina do país, agora como ditador. Nasce o Estado Novo (nome inspirado na experiência salazarista em Portugal), regime de pretensões fascistas centrado em Getúlio Vargas, com uma nova Constituição e um projeto de integração nacional.

Vargas então suprime a liberdade partidária e anula a possibilidade de novas eleições. Seu projeto agora é claro: industrialização, unificação cultural e criação de um suporte imaginário para a criação do brasileiro. Para tanto o presidente cria todo um suporte institucional de manutenção da ditadura.

Ele aumenta a autonomia da Censura, cria o Tribunal de Segurança Nacional (TSN), o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), dá plenos poderes ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), cria órgãos de concurso público (principalmente o DASP) e inicia um empreendimento de expansão da fronteira para o Oeste, ocupando territórios anteriormente reservados aos indígenas.

Vargas tentava ao mesmo tempo aproximar o Brasil das potências do Eixo e não criar atritos com os EUA, maior potência do continente. Para tanto, ele inicia uma série de negociações pelo mundo, tentando conseguir a entrada de capital estrangeiro a juros baixo, que pudesse sustentar o projeto de industrialização nacional e substituição de importações. Vargas começa as negociações com a Alemanha, que tinha interesse num aliado em território americano.

As negociações foram tão bem articuladas que Vargas conseguiu uma série de acordos comerciais e de empréstimos bancários com os EUA, com medo do Brasil se articular com a Alemanha de Hitler, em que o Brasil sai como elemento com vantagem.

Então, Vargas dá início a seu projeto de industrialização e autonomização do país. A juros baixos, o capital estadunidense foi suficiente para a criação da rede de indústria de base necessária para o Brasil produzir autonomia econômica. Em troca, o Brasil se alia à rede de aliados militares dos EUA. Em 1941, quando os japoneses atacam diretamente a Marinha dos EUA, os países entram na guerra que era travada na Europa desde 1939.

Desde 1940, o governo de Vargas sofria bastante oposição. A aliança com os EUA criava atrito do presidente com a esquerda, o autoritarismo de sua ditadura corroía sua relação com diversas esferas da sociedade e a entrada do Brasil na Segunda Guerra aumentou seu conflito com os militares. Precisando reatar laços para a manutenção de seu poder e, ao mesmo tempo, necessitando conter a euforia das fábricas e dos sindicatos, que eram espaço para o possível desenvolvimento de centros de articulação do Partido Comunista, Vargas assume a pauta trabalhista.

O presidente, então, cria a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1943, que oficializa uma série de direitos aos trabalhadores brasileiros, e estrutura um novo esquema sindical baseado no corporativismo (como defendiam os integralistas), onde os sindicatos respondem diretamente ao Governo Federal e ao sistema unificado com base nos ofícios, possibilitando o ordenamento sindical na correlação “um grupo de ofício, um sindicato nacional”. Quebra-se assim a autonomia de luta dos sindicatos e permite um maior controle de seu funcionamento interno.

Vargas cria nesses anos sua figura de Salvador da Nação, além de Pai dos Pobres e inventor do Brasil. Ele forma uma coesão cultural para o desenvolvimento de uma ideologia nacional, oficializa o Carnaval, dá nomes e cores à identidade nacional, cria a metáfora do “povo brasileiro como feijoada”, etc. Vargas também proíbe as nacionalidades não-brasileiras e persegue as formas de manifestação identitária germanistas, nipônicas e italianistas.

Com o retorno das tropas brasileiras à América, depois de derrotada a Alemanha Nazista, muitos militares se deparam com uma bizarra contradição do governo brasileiro: suas tropas foram levadas à Europa para lutar contra o nazifascismo, mas o próprio governo era uma ditadura nacionalista e racista.

Essa contradição será a base para o movimento militar em 1945 que exige a saída de Vargas do Poder. A grande força de apoio de Vargas, de caráter mais popular, ficou conhecida como os "queremistas", que clamavam pela manutenção da presidência de Getúlio sob a ordem Queremos Vargas!.

Temendo a iminente deposição vinda de um golpe militar que estava se articulando, Vargas renuncia à presidência, deixando José Linhares na presidência, provisoriamente, e entra em uma espécie de exílio de volta à cidade natal São Borja. No dia 2 de dezembro, são convocadas novas eleições parlamentares e presidenciais, para o realinhamento da política nacional.  Vargas é novamente eleito senador pelo PTB, o mais votado daquele ano.

Vargas perdeu a presidência sem perder, porém, seus direitos políticos não receberam qualquer represália. Agora senador pelo PTB, ainda na política, Vargas precisa tomar posição nas eleições presidenciais. Inicialmente, ele se recusa a apoiar Eurico Gaspar Dutra, pois o considerava um traidor que participara de sua destituição. Porém, foi convencido de que, se Eduardo Gomes, da UDN, ganhasse, haveria um movimento muito maior de quebra das obras desenvolvidas no Estado Novo. Vargas, então, apoia Dutra que assume a presidência sob a nova Constituição em 1946.

Em 1947, abre mão de seu mandato e retorna a São Borja para um retiro pessoal.

Extremamente clamado pelo povo, em 1950, Getúlio aceita retornar à política e se lançar candidato à Presidência. O PTB lança então a campanha “Ele voltará!”. A equipe de Vargas, então, inicia uma vasta campanha pela reeleição do ex-presidente, com várias fotos, santinhos, passeatas e músicas. Sua principal força de oposição, a UDN, tinha como porta-voz o inteligente e articulador Carlos Lacerda, que clamava que não seria permissível que Vargas assumisse novamente a presidência. Em 3 de outubro de 1950, Vargas é eleito novo Presidente do Brasil.

A eleição foi celebrada por vários. Músicas foram escritas em homenagem ao velhinho e as ruas foram tomadas pelas comemorações nostálgicas a Vargas. Os primeiros anos do novo governo já foram marcados por certa confusão, em que os ministérios foram mudados várias vezes.

Muitos ministros tinham relações tradicionais com Vargas desde 1930, como Góis Monteiro, Oswaldo Aranha, Vicente Rao e Juracy Magalhães, que assume a recente PETROBRAS. Novos políticos também tinham espaço no novo governo, como é o famoso exemplo do Ministro do Trabalho, João Goulart, conterrâneo de Vargas.

Vargas sofre os primeiros choques de sua base de apoio com o Manifesto dos Coronéis que demonstrou certa fragilidade das bases militares de Vargas, e com a confusão do aumento de 100% do salário mínimo que levou à demissão de Goulart do ministério. Porém, será com o atentado da Rua Toneleiros que seu governo sofre um duro golpe.

O atentado envolve o Chefe da Segurança pessoal do Presidente, Gregório Fortunato, que comanda a tentativa de assassinato de Carlos Lacerda, que leva um tiro no pé, e da real morte do major Rubens Florentino Vaz. O atentado gera a total desestabilidade do mandato e cria todo um bafafá que abre espaço para diversas conspirações.

Depois do atentado, as pressões pela renúncia de Vargas eram várias e muito se especulava de uma nova tentativa de assumir um cargo de ditador novamente pelo presidente. Vargas convoca várias reuniões ministeriais de emergência para tentar resolver a crise em que seu governo se encontrava. Muito se tentou criar para diminuir a situação, mas foi uma decisão pessoal de Vargas que resolveu a situação.

No dia 24 de agosto de 1954, a situação do Rio de Janeiro era catastrófica. Lacerda convocou manifestações próximas ao Palácio do Catete pedindo a renúncia de Vargas. As diversas reuniões ministeriais convocadas pelo presidente tiveram pouco efeito e o Palácio vivia em correria. O clima era de possível golpe militar.

Num ato categoricamente político, no meio da noite, sozinho nos aposentos presidenciais, Vargas pega um revólver na mesa de cabeceira, aponta contra o seu próprio peito e atira. O som do tiro ecoa pelo Palácio e a primeira pessoa a entrar no quarto para socorrer o presidente é sua filha, Alzira, que se depara com o presidente morto de pijamas, com o peito ensanguentado e uma carta datilografada, que deveria ser publicada: trata-se da famosa Carta-Testamento de Getúlio: 

"Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto.

Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso.

Contra a Justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre, não querem que o povo seja independente. Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano.

Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado.

Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos.

Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo com a minha vitória.

Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Historiadores dizem que o suicídio de Vargas foi o responsável em adiar em 10 anos o Golpe que o Brasil iria sofrer. A morte do político gerou um nível nunca antes visto de mobilização popular em favor do projeto trabalhista, pois a massa foi às ruas no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em São Borja, onde o corpo passara, para ver e celebrar o luto pelo presidente que criou as Leis Trabalhistas e sempre se importou com o contato direto com o povo.

Massas choravam e celebravam o corpo e o legado de Getúlio Vargas. A solução de Getúlio para a crise foi drástica, mas os efeitos extrapolaram a imaginação daquele importante estrategista e articulador político que foi Vargas.

 

6.     Com base no texto sobre Getúlio Vargas, podemos dizer que ele foi um governante bom ou ruim? Para todas as pessoas ou para grupos específicos?

7.     Getúlio Vargas foi um ditador? Por quê?

8.     Por que a população da época parecia gostar dele e o apoiar? Havia motivos pra isso?

9.     Que aspectos positivos do governo dele existem até hoje?

10.  Que aspectos negativos do governo dele existem até hoje?

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

 

E.E. JORNALISTA RUY MESQUITA

ATIVIDADE DE HISTÓRIA – PROFA. PATRICIA

SEGUNDA QUINZENA - AGOSTO/2020

 

NOME: _____________________________   N°_____      9°____  DATA:______

 

Assista os vídeos, leia o texto abaixo e responda as perguntas subsequentes:





Greves operárias na Primeira República

 

As principais greves operárias ocorridas no Brasil durante a Primeira República tiveram como motivos a luta pelo aumento salarial, melhores condições de trabalho, melhores condições de vida (alimentação, moradia), por uma legislação previdenciária, direitos trabalhistas e sindicais.

No ano de 1907, existiam aproximadamente 150 mil operários. A grande maioria estava distribuída nas indústrias, mas existiam trabalhadores das ferrovias (ferroviários), trabalhadores da construção civil (serventes, pedreiros, carpinteiros), os portuários e outras profissões, como padeiros, sapateiros, trabalhadores dos comércios, entre outros.

Grande parte das indústrias se concentrava na capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, mas, a partir da década de 1920, a cidade de São Paulo assumiu o posto de maior detentora de indústrias no Brasil.

Em meados de 1910, a maior parcela da população brasileira vivia no campo – os trabalhadores urbanos eram uma minoria em relação à população brasileira. O operariado brasileiro era formado principalmente por imigrantes estrangeiros (italianos, portugueses) e por uma parcela pobre da sociedade brasileira.

Na Europa, na década de 1910, fervilhavam manifestações socialistas, comunistas e anarquistas, pois o operariado europeu reivindicava seus direitos perante a sociedade e os empregadores. Tanto que no ano de 1917 aconteceu a Revolução Socialista na Rússia. Devemos compreender a formação da classe operária brasileira dentro desse contexto histórico.

Com a vinda de milhares de imigrantes europeus para o Brasil, vieram, juntamente com eles, as teorias sociais que fervilhavam entre a sociedade europeia. Essas teorias foram fundamentais para os operários brasileiros iniciarem uma efetiva consciência de classe e, consequentemente, uma conscientização política.

Os primeiros contatos do operariado brasileiro com o socialismo e principalmente com o anarquismo, levaram o proletariado, no começo do século XX, a lutar, reivindicar e se manifestar por direitos trabalhistas e sindicais, por melhores condições de trabalho e melhores salários.

Os reflexos das reivindicações operárias foram sucessivas greves. Em 1905, os trabalhadores dos portos de Santos e do Rio de Janeiro paralisaram suas atividades; e no ano de 1906 foi a vez dos ferroviários decretarem greve. Todas essas greves tinham o apoio de trabalhadores de outros setores produtivos.

No ano de 1907, o governo brasileiro aprovou uma lei que expulsaria do país todo imigrante estrangeiro que aderisse às greves – uma forma de retaliar e evitar a ocorrência de outras greves. Porém, a lei não surtiu efeito prático, pois no ano de 1907 ocorreu a primeira greve geral de trabalhadores.

A principal paralisação operária foi a greve geral de 1917, iniciada em São Paulo, após a morte de um jovem trabalhador pela polícia. A greve se generalizou por todo o país e ocorreram na capital paulista vários conflitos e tiroteios por vários dias. Dessa greve participaram os operários da indústria têxtil e alimentícia, os ferroviários e os gráficos.

Durante a greve geral de 1917, os operários lutavam por melhores salários, jornada de trabalho de oito horas, direito a férias, fim do trabalho infantil, proibição do trabalho noturno para as mulheres, aposentadoria e assistência médica. A Legislação trabalhista somente foi implantada no Brasil no ano de 1943.


 


1.     1. O que é um operário? É o mesmo que um trabalhador? Por quê?

2.     2. Quais eram as condições de trabalho no período estudado? São parecidas ou diferentes com as condições de trabalho da maioria das pessoas hoje? Por quê?

3.     3. Por quê a greve era importante para os trabalhadores daquela época?

4.     4. A greve é importante para os trabalhadores de hoje? Por quê?

5.    5.  Quem “fez” os direitos trabalhistas, então? Os governos ou os trabalhadores? Explique.

 

Agora observe as imagens abaixo para responder as próximas questões:





 

6.    6. Descreva a primeira imagem, que se refere a uma greve em São Paulo em 1978: quantas pessoas? Como estão vestidas? A que classe sociais possivelmente pertencem? Que objetos aparecem? O que estão fazendo? Quais as mensagens?

7.   7.   Descreva a segunda imagem, que se refere a uma greve em São Paulo em 2018: quantas pessoas? Como estão vestidas? A que classe sociais possivelmente pertencem? Que objetos aparecem? O que estão fazendo? Quais as mensagens?

8.    8.  Quais as semelhanças entre as duas imagens? Quais as diferenças?

9.    9.  Quais as semelhanças entre essas imagens e a do jornal sobre a greve operária em 1917?

1010.  Podemos dizer que as condições de trabalho e vida dos brasileiros melhoraram ou pioraram nos últimos 100 anos? Por quê?

terça-feira, 23 de junho de 2020

Aulas de História- 2º bimestre- 9º A, B, C, D e E


Atividades de História

Olá queridos alunos, tudo bem? Pessoal segue abaixo uma sequencia de atividades para iniciarmos o nosso segundo bimestre. Todas as atividades propostas aqui são facilmente encontradas no livro didático de História que vocês já têm em mãos.

ATIVIDADE 1

Leia as questões abaixo e elabore um texto respondendo cada uma. As respostas deverão estar dentro de um único texto.

a) O que foi o tenentismo?
b) Como Getúlio Vargas assume o poder?
c) O que foi a Coluna Prestes?
d) Qual a relação esses itens têm com o governo Getúlio Vargas?

  • voto secreto;
  • incentivo à industria nacional;
  • leis trabalhistas.
e) Os Paulistas eram a favor do governo Getúlio Vargas?
f) Explique a importância da constituição de 1934.
g) O que foi o Estado Novo?
h) O que foi o DIP?      

OBS.: NA ELABORAÇÃO DO TEXTO ESSES ITENS ACIMA PODEM SER UTILIZADOS COMO SUBTÍTULOS.

ATIVIDADE 2

No capitulo 4, do livro de História, a partir da página 58, fala sobre os movimentos sociais NEGRO, INDÍGENA e FEMINISTA no Brasil no início do século XX. Escolha um desses movimentos e faça uma reflexão sobre o assunto. Descreva um breve resumo da sua leitura desse capítulo. 

ATIVIDADE 3

Responder as questões dos capítulos  03 e 04 do livro de História: páginas 55, 56, 57, 72, 73, 74 e 75. Só as respostas.


OBS.: TODO O CONTEÚDO ENCONTRA-SE NO LIVRO DE HISTÓRIA CAPÍTULOS 03 E 04. DA PÁGINA 42 A 75.


TODA A ATIVIDADE FEITA DEVERÁ SER ENVIADA AOS CANAIS DE COMUNICAÇÃO COM O PROFESSOR RENATO. SÃO ELES: WATSAP 946307108 OU EMAIL eafi17.renato.durval@gmail.com.

A ESTIMATIVA DESSE ROTEIRO DE ESTUDO É DE 12 AULAS, SENDO ASSIM, RECEBEREI ESSAS ATIVIDADES ATÉ A DATA DE 14/07.



                                                                      Professor Renato Durval